Minha história com a Acupuntura, na realidade não começou muito bem, sou enfermeira, sempre trabalhei em áreas de alta complexidade no atendimento a pacientes (CTI, Neonatologia, Emergência, Bloco Cirúrgico, Sala de Recuperação e Emergência) e toda minha formação foi para pacientes em estado crítico, era o tipo de serviço e clientes com os quais eu me identificava.

No ano de 2002, em um atendimento a uma Parada Cardíaca me descuidei e fiz uma manobra errada e acabei rompendo 2 hérnias de disco na Cervical. Sofri durante 1,5 ano em uma crise de dor, o que acabou me afastando das áreas críticas dos hospitais. Durante esta crise, um das técnicas utilizadas em meu tratamento foi uma Eletroacupuntura o que resultou em um efeito ruim e uma piora da dor. Eu já não era muito fã, por assim dizer, da Acupuntura e minha impressão ficou ainda pior.

Ao completar 45 anos percebi que o meu comportamento estava no mínimo em desacordo com o que se estipula como saudável. Eu já fazia tratamento para hipertensão arterial, utilizava medicamentos para ansiedade e antidepressivo, olhei para a minha vida e decidi que eu queria mudar o meu jeito irritadiço, ansioso e até mesmo agressivo. Iniciei o que chamo de uma caminhada reversa à pessoa que eu era quando jovem. Mas foi só aos 48 anos comecei a pensar o que seria do meu futuro, pois meu filho estava com 13 anos e eu sabia que não conseguiria e não queria continuar trabalhando como enfermeira assistencial a partir dos meus 50 anos, pelo menos não no ritmo em que eu estava. Continuei a minha mudança em busca o meu “Eu Jovem” mas infelizmente aos 49 anos tive uma crise de insônia que não se resolvia com absolutamente nenhum tipo de medicamento que eu conhecia (entre eles ansiolíticos, hipnóticos, benzodiazepínicos, etc).

Minha insônia, de tão severa e duradoura acabou me levando a um quadro viral que realmente me derrubou e me deixou de cama. Foram 7 dias de repouso em casa, até que retornei ao meu serviço e me encontrei com um familiar de um paciente da clínica onde eu trabalhava. Conversamos durante aproximadamente 2 horas, ele me fez algumas perguntas que para mim eram estranhas e não tinham absolutamente nada a ver com meus conceitos de saúde/doença, percebi que todos os questionamentos que ele me fez tiveram resposta positiva, para completar ao final de seu questionamento ele pediu para ver minha língua (quase tive um ataque de risos), quando mostrei, ele olhou sorrindo e disse ¨tu tá na última de stress, né?¨ me recomendou alguns chás para o meu quadro viral, perguntei para ele se isso era ¨bruxaria¨ e ele me respondeu que aquilo era Medicina Chinesa e me convidou para ir a uma consulta com ele.

Não perguntei mais sobre o provável atendimento, mas aceitei o convite. No caminho da consulta me questionava: “Quer ver que vou chegar lá e vai ser Acupuntura”, “Quer ver que vai ter cheiro de incenso?”

Dito e feito. Fui atendida e para minha surpresa apresentei uma melhora considerável da insônia e para completar fiquei mais tranquila e serena. Fui melhorando cada vez mais e acabei decidindo por tentar entender um pouco mais sobre a Medicina Tradicional Chinesa, ingressando em uma Pós Graduação. O curso me tornou uma pessoa melhor, e modificou diversos comportamentos meus.

Ao fim do curso comecei a trabalhar imediatamente, continuei (e continuo) a estudar quase que diariamente sobre essa arte que me fascinava. Completando um ano de formada, recebi um convite para ir conhecer a China e fazer um curso de Extensão. Foi uma viajem de um mês e nesta viagem realmente aprofundei meus conhecimentos.